sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sonhando alto


Ela não sabia o que aquilo significava e o quão longe já estava levando as coisas. Não sabia a diferença entre a realidade e o sonho, sonhava o dia inteiro e dormia, para continuar sonhando. Em seus sonhos o modo como vivia era exatamente igual, morava na mesma casa, sem muito luxo, vivia com a mãe e não tinha amigos por ali. Seu sonho não era uma casa de três andares, uma piscina, muitos cachorros e morar com a mãe, o pai e algum irmão. Seu sonho era viver novas experiências. 

Conhecer o novo. Reconhecer os sentimentos. Ela se sentia viva toda vez que sonhava. Ela tinha uma pessoa que a deixava feliz, a aceitava mesmo com todos aqueles defeitos e toda aquela raiva e revolta com o mundo, ali ela se sentia completa. 

Com o passar do tempo, dormir era uma missão difícil, já não queria que a sua mente coordenasse os sonhos pela noite, preferia ficar acordada e inventar como bem entendesse. Ela não vivia a vida dela, vivia a vida de uma pessoa que não existia, se mantinha viva por uma pessoa que não existe.
Pensando melhor, ela apenas criara alguém para compartilhar a sua solidão, o seu vazio e a sua falta de sentimentos. Mesmo não vivendo, se sentia viva. Mesmo não tendo ninguém ao seu lado, se sentia protegida. Tudo que criou começou a ser a realidade, a sua realidade.

Ela não sabe aonde isso irá parar, e se irá parar um dia. Sonhar com os olhos abertos é tão perigoso quanto estar apaixonado, tão perigoso quanto não viver uma paixão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário